quinta-feira, 13 de julho de 2017

Quem é, afinal, o melhor treinador do mundo?

Os vencedores de Liga Europa, Liga dos Campeões e Campeonato do Mundo
A pergunta é aberta, certamente suscitará um amplo número de respostas, mas no início da década contemplava apenas uma (very) shortlist: José Mourinho e Pep Guardiola. Com o passar dos anos, ambos foram perdendo algum terreno na corrida ao trono.

O português tem falhado a conquista da Liga dos Campeões desde 2010, quando a conseguiu ao leme do Inter de Milão, mesmo tendo passado por dois clubes que, no seu conjunto, venceram a prova por quatro vezes nas últimas seis edições: Real Madrid e Chelsea. E de ambos saiu na mó de baixo.


Já o espanhol, que renovou o futebol do Barcelona e construiu uma das melhores equipas de sempre com o tiki-taka como modelo, tem falhado a Champions desse 2011, mesmo tendo estado, aparentemente, nos clubes ideais para a conseguir. Cumpriu os mínimos no Bayern Munique – leia-se vencer a Bundesliga –, mas o desempenho na liga milionária e o primeiro ano no Manchester City são uma mancha no currículo.

Estes dois ainda merecerão integrar a lista dos melhores do mundo, que é neste momento mais alargada, mas sem haver um nome que sobressaia. É verdade que Zinédine Zidane se tornou o primeiro treinador a ser bicampeão europeu desde que a Champions tem este formato, mas um ano e meio de experiência é escasso para merecer tal distinção – ainda que seja o favorito a recebê-la nos prémios da FIFA. Afinal, não conseguiu algo notável com uma equipa frágil nem criou um padrão de jogo inovador ou indestrutível. Os méritos do francês no Real Madrid estão relacionados com a gestão de balneário e a forma como equilibrou a equipa com a aposta em Casemiro e a retirada de um médio mais ofensivo, para mal de Isco e James Rodríguez.

Também por Espanha, há Diego Simeone, que tornou o até então outsider Atlético Madrid numa das equipas mais poderosas da Europa. Quem julgava ser possível que, nos tempos que correm, alguém se intrometesse na luta entre Barcelona e Real Madrid e conseguisse conquistar o título espanhol? Quem julgava ser possível ver os colchoneros em duas finais da Liga dos Campeões em três anos? El Cholo construiu uma formação pragmática, explorou como nunca momentos à parte do jogo como as bolas paradas e potenciou jogadores que talvez não tivessem pensado atingir um nível tão alto, como Juanfran, Godín, Miranda, Filipe Luís, Gabi, Koke ou Diego Costa. Faltar-lhe-á alguma nota artística e, acima de tudo, uma Champions.

Por falar em Champions, Carlo Ancelotti é o único treinador no ativo que já levantou por três vezes a taça das orelhas grandes, algo que obrigatoriamente o coloca na discussão. E ainda foi campeão em Itália, França, Inglaterra e Alemanha, embora aparentemente seja um técnico mais vocacionado para as competições a eliminar.

Por outro lado, o campeão mundial Joachim Low não pode ser esquecido. Desde que comanda a seleção alemã, que esta atinge pelo menos as meias-finais das grandes competições, algo que aconteceu nos Europeus de 2008, 2012 e 1016, nos Mundiais de 2010 e 2014 e até na Taça das Confederações de 2017, que até acabou por vencer. Contudo, é difícil e ingrato comparar o seu trabalho ao de um treinador que está constantemente no terreno.

Já vamos em seis nomes, mas a lista pode crescer facilmente. O que Jorge Sampaoli, Leonardo Jardim, Antonio Conte, Jürgen Klopp e Mauricio Pochettino têm feito por onde têm passado é muito meritório. Claudio Ranieri operou um verdadeiro milagre no Leicester. Luis Enrique conquistou tudo pelo Barcelona bem recentemente. Massimiliano Allegri levou a Juventus a duas finais da Champions em três anos, devolvendo a vecchia signora a um palco que já não pisava desde 2003. E se pusermos um pouco de lado os resultados e relevarmos a nota artística, temos de fazer menções honras a treinadores aos quais associamos futebol atrativo, casos de Marcelo Bielsa e Jorge Jesus.




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