sexta-feira, 21 de abril de 2017

Olímpico do Montijo: Um regresso anunciado aos palcos nacionais

De verde e amarelo, Olímpico do Montijo caminha para o título distrital
Já lá vão os tempos em que o histórico Clube Desportivo do Montijo participou na I Divisão, em 1972/73, 1973/74 e 1976/77. Duas despromoções em três participações não impediram que a “Aldeia Galega” se tornasse uma cidade apaixonada por futebol, até porque o clube da terra continuou a ser presença assídua nos palcos nacionais até à viragem do milénio.

O concelho de onde são naturais os antigos internacionais Paulo Futre, Fernando Mendes e Ricardo viu-se sem o seu emblema mais representativo em 2007, devido a dificuldades financeiras. 


Contudo, no seu lugar nasceu um outro clube, uma espécie de ressurreição chamada Clube Olímpico do Montijo. Com enorme pujança, alcançou a subida da II à I Distrital logo na temporada de estreia, em 2007/08. Daí aos campeonatos nacionais foi um pulinho. Não foi à primeira nem à segunda, mas à terceira tentativa os aldeanos lá foram promovidos à antiga III Divisão e conquistaram o título distrital, em 2010/11.

No entanto, a experiência nos nacionais não correu bem e registou-se nova queda a pique, com a II Distrital como destino. Uma passagem rápida pelo último patamar do distrito, uma vez que os montijenses foram campeões da II Distrital e consequentemente promovidos, em 2013/14. Daí para cá, uma trajetória ascendente na I Divisão da Associação de Futebol de Setúbal: 13.º lugar em 2014/15, 9.º em 2015/16 e, salvo alguma hecatombe, o título em 2016/17.

Duas a três centenas de adeptos, incluindo uma ruidosa claque, apoiam a equipa nos jogos em casa, no funcional e confortável Campo da Liberdade, dotado de uma bancada (do lado poente) com bancos cómodos, relvado sintético e bar, e localizado numa zona periférica da cidade.


Defesa de betão e ataque demolidor… com sotaque

O Olímpico do Montijo tem o melhor ataque e a melhor defesa da I Distrital, com 67 golos marcados e 21 sofridos, quando já se disputaram 24 jornadas – e tem oito pontos de avanço sobre o vice-líder Amora. Um mérito para o qual muito tem contribuído um trio de brasileiros que vai dando cartas em três setores: Raul Rocha na defesa, Jean Victor no meio-campo e Thiago no ataque.

O ingresso destes três jogadores no emblema aldeano está contemplado na parceria com uma empresa portuguesa de agenciamento de jogadores com capital saudita. Esse protocolo tem como objetivo a chegada do Olímpico à II Liga em seis anos, ao mesmo tempo que vai valorizando os atletas da empresa e vendendo-os, com o clube a beneficiar de uma percentagem de cada negócio.

Inicialmente, o treinador escolhido para encabeçar o projeto foi o experientíssimo Carlos Lóia, que só chegou a orientar a equipa num jogo. Depois, avançou para o comando técnico o até então adjunto David Martins, 38 anos, a viver a segunda temporada nos bancos depois de ter capitaneado os históricos Fabril e Barreirense. Em 2015/16, esteve perto da promoção ao Campeonato de Portugal pelo Amora e ainda conquistou a Taça AF Setúbal, mas não permaneceu na formação do concelho do Seixal.


Ritmo e dinâmica

O onze-tipo de David Martins
Se há algo que caracteriza o estilo do Olímpico do Montijo é o ritmo que a equipa imprime e a dinâmica que procura incutir, sobretudo, nos últimos 30 metros. Trocas de bola rápidas, dificultando a reação do adversário, tabelinhas constantes, trocas posicionais e reações intensas à perda do esférico são características do líder da I Distrital, que apresenta uma qualidade e intensidade de jogo digna de figurar no Campeonato de Portugal.

Nos jogos observados, dá para descortinar um 4x3x3 que em muitos momentos aparenta ser um 4x4x2. Isto porque o médio interior direito, Marcelo, sempre em alta rotação, aparece muito no flanco, funcionando como um extremo. E o próprio trio de atacantes muitas das vezes até aparenta ser um trio de pontas de lança, tal a forma como Cami, João Monteiro e Thiago (ou Carlitos) aparecem (e bem!) em zona de finalização.


Caracterização individual

Na baliza mora um veterano. Após muitos anos nas categorias nacionais, onde chegou a representar o Montijo original, Carlos Miguel vai defendendo as últimas bolas da longa carreira aos 42 anos. Acumula a defesa da baliza com a função de treinador de guarda-redes, mas apesar da veterania não se livrou de cometer um erro infantil na recente receção ao Comércio e Indústria, tendo agredido um jovem adversário, o que motivou uma suspensão de duas partidas.

Bem mais jovens são os dois centrais. O possante brasileiro Raul Rocha, 23 anos, é o típico ‘centralão’, muito alto (1,93 m) e fortíssimo no futebol aéreo (defensivo e ofensivo), mas com alguma falta de velocidade e de qualidade no jogo de pés. Para o complementar, o muito assertivo embora mais baixo (1,80 m) Mota, 28 anos. A alternativa é Nuno Cunha, um jovem de 21 anos, mas já com alguma experiência em campeonatos nacionais, por Pinhalnovense e Barreirense, tendo ainda passado pela formação do Vitória.

Nas laterais, dois homens da casa. O capitão Paulinho, 31 anos, na equipa principal desde 2004/05, ainda no Montijo original, é o dono e senhor do corredor direito, ao qual oferece muita consistência. Bem mais ofensivo, habilidoso e jovem é Projecto, 23 anos, que dá imensa profundidade ao flanco esquerdo e tem o selo das ‘canteras’ de Benfica e Sporting.

Jean Victor segura a bola em embate diante do Moitense
Um pouco mais à frente, o brasileiro Jean Victor é o elemento mais posicional do meio-campo. Oferece qualidade à construção de jogo, mas tem como imagem de marca a intensidade e a determinação com que aborda aos lances, ganhando muitas disputas de bola no miolo.

Como segundo médio, mais um homem da casa, Queijinho, 24 anos, um especialista na execução de livres diretos. Está no clube há 15 anos – com um hiato de três, passados no vizinho Alcochetense -, onde já colabora enquanto treinador nas camadas jovens. Também muito utilizado na posição ‘8’ é Iuri.

O mais ofensivo e híbrido do habitual trio de centrocampistas é o jovem Marcelo, 20 anos, um dos atletas mais promissores do conjunto montijense. Sempre em alta rotação, é um médio interior que aparece muito por fora, aparentando tratar-se de um extremo em muitos momentos. Outro conhecedor do sentimento aldeano, está no Olímpico há uma década.

Mais adiante, no ataque, há soluções para todos os gostos. E é precisamente essa abundância de recursos que faz com que o treinador David Martins varie muito na escolha do tridente ofensivo. Contudo, Cami, 26 anos, é quem mais se tem destacado. Bastante rápido e ágil, é um extremo que aparece muito em zona de finalização. Tais qualidades vão lhe valendo a vice-liderança da tabela de marcadores da I Distrital, com 18 golos. Tem vindo a ganhar o seu espaço com o decorrer da temporada num emblema que representa há cerca de 15 anos.
Cami a comemorar, numa imagem vista por 18 ocasiões

As outras soluções passam por três homens que têm alternado a titularidade nas restantes duas vagas do tridente ofensivo e, curiosamente, têm todos oito golos apontados na I Distrital. Carlitos diferencia-se por ser um extremo puro, o brasileiro Thiago pode atuar em qualquer posição do ataque e João Monteiro fixa-se mais na área adversária. O primeiro é mais um que conhece os cantos à casa, uma vez que está no clube há década e meia, ainda que com um hiato de um ano e meio pelo meio. O segundo foi dos que mais nos impressionou, por se tratar de um jogador possante (1,86 m) mas simultaneamente muito veloz, com grande poder de aceleração, capacidade de drible e remate forte. Por último, João Monteiro é um ponta de lança que joga bem de costas para a baliza e tabela bem com os companheiros, tendo passagens pelas formações de Benfica e Vitória de Setúbal no currículo. E ainda há João Lagoa, João Castiço e Rúben Goiás.






4 comentários:

  1. Bom artigo, enquanto seguidor da equipa revejo a descrição feita está consentânea com a realidade!
    "Arrinca Montije" - MOA 2008.

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  2. Falta de informação falta um defesa central..e vê quem trabalha nas camadas jovens

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    1. Qual é o central que falta e quem mais trabalha nas camadas jovens?

      É importante adicionar essa informação, mesmo que num comentário.

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    2. O central que falta é Gil Costa de 25 anos de idade e 16 anos de Montijo, mais um homem da terra que também é treinador na formação do clube perpetuando a mística aldeana.

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